MEIOSE
7
– MEIOSE
A
reprodução sexuada produz variação genética pela meiose
A evolução da
reprodução sexuada está entre os eventos mais importantes na história da vida. O
ritmo da evolução depende da variação genética. Ao misturar as informações
genéticas dos pais, a reprodução sexuada aumenta muito a variação genética e
possibilita a aceleração da evolução. A maior parte da grande diversidade de
vida na Terra é resultado direto da reprodução sexuada.
A reprodução
sexuada tem dois processos. O primeiro é a meiose, que gera os gametas,
nos quais o número de cromossomos é reduzido à metade. O segundo processo é a fertilização,
na qual dois gametas haploides se fundem e restauram o número de cromossomos
para sua forma diploide original.
Meiose
Às
vezes os termos mitose e meiose são confundidos. Eles são
semelhantes e ambos se referem à divisão de cromossomo e à citocinese. Mas não
se engane. Os desfechos da mitose e meiose são radicalmente diferentes e vários
eventos únicos que têm consequências genéticas importantes ocorrem apenas na
meiose. Qual
a diferença entre meiose e mitose? A mitose consiste em uma única divisão
nuclear e geralmente é acompanhada por uma única divisão celular. Na meiose, por outro lado,
ocorrem duas divisões. Após a mitose, o número de cromossomos nas células
recém-formadas é o mesmo que na célula original, enquanto na meiose o número de
cromossomos nas células recém-formadas é a metade. Finalmente, a mitose
produz células geneticamente idênticas, enquanto as células são diferentes do ponto de vista genético
na meiose. Vejamos como essas diferenças surgem.
Como a mitose, a meiose é precedida por um
estágio de interfase que inclui as fases G1, S e G2. A meiose tem dois
processos distintos: meiose I e meiose II, cada qual incluindo uma divisão
celular. A primeira, que ocorre no final da meiose I, é chamada de divisão
reducional porque o número de cromossomos por célula é reduzido à metade. A
segunda divisão, que ocorre no final da
meiose II, é chamada de divisão
equacional. Os eventos que ocorrem na meiose II são semelhantes aos
que ocorrem na mitose. Entretanto, a meiose II difere da mitose porque o número
de cromossomo já foi dividido à metade na meiose I e a célula não começa com o
mesmo número de cromossomos como a célula na mitose.
Meiose
I. Durante a interfase, os cromossomos estão relaxados e visíveis
como cromatina difusa. A prófase
I é um estágio prolongado, dividido em cinco subestágios. No leptóteno, os cromossomos se contraem
e se tornam visíveis. No zigóteno,
os cromossomos continuam a se condensar, os cromossomos homólogos pareiam, e
começa a sinapse, um pareamento muito próximo. Cada par homólogo
de cromossomos que sofreram sinapse consiste em quatro cromátides chamadas de bivalentes
ou tétrades. No
paquíteno, os cromossomos se tornam menores e mais espessos, e o complexo sinaptonêmico
de três partes se desenvolve entre os cromossomos homólogos. A função do
complexo sinaptonêmico não está clara, mas os cromossomos de muitas células que
não têm este complexo não se separam corretamente.
O crossing
over (permutação) ocorre na prófase I, na qual os cromossomos homólogos
trocam informações genéticas. Ele é responsável pela variação genética (ver Fontes
de variação genética na meiose, posteriormente) e é essencial para o alinhamento
e separação adequados dos cromossomos homólogos. Os centrômeros dos cromossomos pareados se separam no diplóteno;
os dois homólogos permanecem presos no mesmo quiasma, que é o resultado do crossing
over. Próximo do final da prófase I (diacinese), a membrana nuclear
se rompe e o fuso se forma, preparando o estágio para a metáfase I.
A metáfase I é
iniciada quando os pares homólogos dos cromossomos se alinham ao longo da placa
de metáfase. Um microtúbulo de um polo se fixa a um cromossomo de um par
homólogo e um microtúbulo do outro polo se fixa ao outro membro do par. A anáfase
I é marcada pela separação dos cromossomos homólogos. Os dois cromossomos
de um par homólogo são puxados para os polos opostos. Embora os cromossomos
homólogos se separem, as cromátides-irmãs permanecem presas e se deslocam
juntas. Na telófase I, os cromossomos chegam aos polos do fuso e o
citoplasma se divide.
Meiose
II. O período entre a meiose I e meiose II é a intercinese, na
qual a membrana nuclear se forma novamente ao redor dos cromossomos agrupados
em cada polo, o fuso se rompe e os cromossomos relaxam. Essas células, então,
passam para a prófase II, na qual os eventos na intercinese são
invertidos, os cromossomos se recondensam, o fuso se forma novamente, e o envelope
nuclear novamente se rompe. Na intercinese, em alguns tipos de células, os
cromossomos permanecem condensados e o fuso não se desfaz. Essas células passam
diretamente da citocinese para a metáfase II, que é semelhante à
metáfase da mitose: os cromossomos individuais se alinham com a placa de
metáfase, com as cromátides-irmãs nos polos opostos. Na anáfase II, os
cinetócoros das cromátides-irmãs se separam e as cromátides são puxadas para os
polos opostos. Cada cromátide agora é um cromossomo distinto. Na telófase II,
os cromossomos chegam aos polos do fuso, um envelope nuclear se forma ao redor
dos cromossomos e o citoplasma se divide. Os cromossomos se dividem e não são
mais visíveis. Os principais eventos da meiose estão resumidos no Quadro 2.2.
(pierce)
Fontes
de variação genética na meiose
Quais
são as consequências gerais da meiose? Primeiro,
a meiose inclui duas divisões; então,
cada célula original produz quatro células (existem exceções a esta
generalização, como em muitas fêmeas; Segundo, o número de cromossomos é dividido à metade, então as células
produzidas pela meiose são haploides. Terceiro,
as células produzidas por meiose são geneticamente diferentes uma da outra e da
célula original. As diferenças genéticas entre as células resultantes destes
dois processos são únicas para a meiose: o crossing over e a separação aleatória dos cromossomos
homólogos.
Crossing
over. O crossing
over, que ocorre na prófase I, refere-se à troca de material genético entre
cromátides não irmãs (cromátides oriundas de diferentes cromossomos homólogos).
Evidências a partir de levedura sugerem que o crossing over é iniciado
no zigóteno, antes de desenvolver o complexo sinaptonêmico e não está completo
até perto do final da prófase I (Figura 2.13). Em outros organismos, o crossing
over é iniciado após a formação do complexo sinaptonêmico e em outros não
há complexo sinaptonêmico. As cromátides-irmãs não são mais idênticas após o crossing
over. Ele é a base para recombinação intracromossômica, criando
novas combinações de alelos em uma cromátide. Para observar como o crossing
over produz a variação genética, considere dois pares de alelos, que vamos
abreviar como Aa e Bb. Imagine que um cromossomo tem os alelos A
e B e seu homólogo tem os alelos a e b. Quando o DNA é
replicado na fase S, cada cromossomo é duplicado, e então as cromátides-irmãs
são idênticas.
No
processo de crossing over, existem rupturas nas fitas de DNA, que são
reparadas de forma que segmentos das cromátides não irmãs sejam trocados. O importante
é que, após o crossing over, as duas cromátides-irmãs não são mais
idênticas: uma cromátide tem alelos A e B enquanto sua
cromátide-irmã (a cromátide submetida a crossing over) tem os alelos a
e B. Da mesma forma, uma cromátide de outro cromossomo tem os alelos
a e b e a outra cromátide tem os alelos A e b. Cada
uma das quatro cromátides agora tem uma combinação única de alelos: A B,
a B, A b e a b. Os dois cromossomos homólogos acabam se
separando, cada um indo para uma célula diferente. Na meiose II, as duas
cromátides de cada cromossomo se separam e cada uma das quatro células resultantes
da meiose tem uma combinação diferente de alelos.
Separação
aleatória dos cromossomos homólogos. O SEGUNDO PROCESSO DE MEIOSE
QUE CONTRIBUI PARA A VARIAÇÃO GENÉTICA é a distribuição aleatória de
cromossomos na anáfase I, após seu alinhamento aleatório na metáfase I. Para
ilustrar este processo, considere uma célula com três pares de cromossomos, I,
II e III. Um cromossomo de cada par é de origem materna (Im, IIm e IIIm); o
outro é de origem paterna (Ip, IIp e IIIp). Os pares de cromossomos se alinham
no centro da célula na metáfase I, e na anáfase I os cromossomos de cada par
homólogo se separam.
Como
cada par de homólogos se alinha e se separa é aleatório e independente de como
outros pares de cromossomos se alinham e se separam. Por acaso, todos os cromossomos
maternos podem migrar para um lado com todos os cromossomos paternos migrando
para outro lado. Após a divisão, uma célula teria os cromossomos Im, IIm e
IIIm, e a outra Ip, IIp e IIIp. Por outro lado, os cromossomos Im, IIm e IIIp
podem se mover para um lado, e os cromossomos Ip, IIp e IIIm para outro. As diferentes
migrações produziriam diferentes combinações de cromossomos nas células
resultantes. Existem quatro formas pelas quais uma célula diploide com três
pares de cromossomos pode se dividir, produzindo um total de oito combinações diferentes de cromossomos nos gametas. Em
geral, o número de possíveis combinações é 2n, em que n é igual ao número
de pares homólogos. À medida que o
número de pares de cromossomos aumenta, o número de combinações se torna muito
maior. Nos seres humanos, que têm 23 pares de cromossomos, são 223 ou
8.388.608 diferentes combinações de cromossomos possíveis a partir da separação
aleatória dos cromossomos homólogos.
Em resumo, o crossing over desloca os alelos no
mesmo cromossomo em novas combinações, enquanto a distribuição aleatória
dos cromossomos maternos e paternos embaralha os alelos em diferentes cromossomos
em novas combinações. Juntos, estes dois processos conseguem provocar
substancial variação genética entre as células oriundas da meiose.

Figura 2.15
O crossing over produz variação genética.

Figura
2.16 A variação genética é produzida por meio da distribuição aleatória
de cromossomos na meiose. Neste exemplo, a célula tem três pares de
cromossomos homólogos.
EM
AMBOS OS CASOS A VARIAÇÃO GENETICA, Crossing over, Distribuição
aleatória dos
cromossomos
maternos e paternos: OCORREM NA MEIOSE I
CONTRIBUIÇÃO PARA VARIAÇÃO E/OU VARIABILIDADE
GENÉTICA:
Em resumo, o crossing
over desloca os alelos no mesmo cromossomo em novas combinações,
enquanto a distribuição aleatória dos cromossomos maternos e paternos embaralha
os alelos em diferentes cromossomos em novas combinações.
Juntos, estes dois
processos conseguem provocar substancial variação genética entre as células
oriundas da meiose. O resultado habitual da meiose é a produção de quatro células
haploides geneticamente variáveis. A variação genética na meiose é produzida
pelo crossing over e pela distribuição aleatória de cromossomos maternos
e paternos.
Separação
das cromátides-irmãs e dos cromossomos homólogos
Recentemente,
foram identificadas algumas das moléculas necessárias para unir e separar as
cromátides e cromossomos homólogos. A coesina, uma proteína que mantém
as cromátides juntas, é a chave para o comportamento dos cromossomos na mitose
e na meiose. As cromátides-irmãs são mantidas unidas pela coesina, que é
estabilizada na fase S e persiste pela fase G2 e perto da mitose. Na anáfase da
mitose, a coesina ao longo da extensão complexa do cromossomo é degradada por
uma enzima chamada separase, permitindo que as cromátides-irmãs se separem. No início da
meiose, a coesina específica da meiose é encontrada ao longo de toda a extensão
dos braços de um cromossomo A coesina também atua nos braços do cromossomo dos
homólogos nos quiasmas, prendendo os dois homólogos nas suas extremidades. A
coesina mantém as cromátides-irmãs juntas durante a parte inicial da mitose. Na
anáfase, a coesina é degradada, permitindo a separação das cromátides-irmãs. Na
meiose, a coesina é protegida nos centrômeros durante a anáfase I e os
cromossomos homólogos também, mas não as cromátides-irmãs, que se separam na
meiose I. A degradação da coesina do centrômero permite que as cromátides-irmãs
se separem na anáfase II da meiose.
MEIOSE NAS
PLANTAS: Nas plantas, um microesporócito diploide no estame sofre meiose para
produzir quatro grãos de pólen, cada um com duas células espermáticas
haploides. No ovário, um megaesporócito diploide sofre meiose para produzir
oito núcleos haploides, um dos quais forma o ovócito (oócito). Durante a
polinização, uma célula espermática fertiliza o ovócito (oócito), produzindo um
zigoto diploide, a outra se funde com dois núcleos para formar o endosperma 3n.
------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------
Comentários
Postar um comentário